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Senado mexicano aprova descriminalização do porte de drogas

 

Essa notícia com certeza tomaria diversas páginas e até capaz de jornais. Porém, na atual conjuntura do País, tal informação parece irrelevante.

 

Ex-presidentes Ernesto Zedillo, César Gaviria e Fernando Henrique (da esq. para a dir.), defenderam a revisão das leis contra as drogas e a descriminalização da posse de pequenas quantidades de maconha

Ex-presidentes Ernesto Zedillo, César Gaviria e Fernando Henrique (da esq. para a dir.), defenderam a revisão das leis contra as drogas e a descriminalização da posse de pequenas quantidades de maconha

Projeto de lei que prevê a descriminalização das drogas no México foi aprovado no Senado por 87 votos a favor e dez abstenções. Agora segue para votação na Câmara dos Deputados.

Pela proposição, se alguém for detido pela polícia portando drogas consideradas “em quantidade” pelo projeto, será advertido e orientado a buscar ajuda para a dependência. Trata-se de uma proposição controversa do presidente Felipe Calderón que teve apoio dos dois principais partidos de oposição.

Pelo projeto de lei, não será punido portador de até 5 gramas de maconha, 500 mg de cocaína e também pequenas quantidades de heroína e meta-anfetaminas. O governo Calderón afirma que a lei permitirá focar esforços no tráfico em um País consumido pela violência contra o narcotráfico e rota de 90% da droga consumida pelos EUA.

Vale lembrar que o ex-presidente mexicano, Vicente Fox, propôs legislação semelhante em 2006, mas voltou atrás por pressão do então presidente dos EUA – e aliado – George W. Bush, contrário a qualquer flexibilização das leis para usuários de drogas.

No México, o tema ganhou apenas um mero registro nos principais jornais após a aprovação na semana passada, a portas fechadas – pasmem! -, para evitar o contágio. O Brasil aprovou lei semelhante em 2006, que prevê penas alternativas para consumidores de drogas.

Fonte: Folha de S. Paulo 04.05.2009

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Em abril, no Rio Grande do Sul

Em alguns dias falo mais sobre.

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

Miguezim de Princesa

Icrucificacao3
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

Texto escrito por estudantes de comunicação da PUC RJ, o qual reproduzo e assino embaixo:

No domingo, 8 de março comemoramos o dia internacional da mulher. Comerciais de TV e promoções de lojas apontavam um grande dia de festa, em que todas as mulheres ganhariam presentes, o que já demonstra que tal dia tornou-se, assim como o Natal, dia das mães e páscoa, nada menos do que uma boa desculpa para o comércio varejista vender mais.
Por outro lado, uma das maiores instituições civis, se não a maior, a igreja Católica, nos mostra que não há muito à comemorar, pois não perdeu tempo em reafirmar sua opinião sobre a mulher, que parece não ter mudado muito deste a época de Eva. A mulher, segundo a igreja, é o pior tipo de criminoso que uma sociedade pode ter.
Por que tal afirmação? Bem, acredito que todos tenham lido, ou ouvido falar do caso da menina de nove anos que há três anos era continuamente estuprada pelo padrasto dentro da própria casa em Pernambuco. Como consequência acabou engravidando de gêmeos. Até para a opinião pública, esse seria o crime mais hediondo que poderia acontecer dentro de uma sociedade. Mas não para igreja. Para a igreja o pior crime foi o aborto realizado por médicos na menina que corria risco de vida e por lei tinha esse direito tanto pelo estupro quanto por sua condição de saúde.
Para a Igreja Católica apostólica Romana, na figura do Arcebisbo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou a menina, a mãe da menina e toda a equipe médica que participou do procedimento. Já não bastasse a excomunhão, uma equipe de advogados da Igreja prepara um processo civil contra a mãe da menina.
O mesmo bispo afirma que para a igreja católica “O ABORTO É PIOR DO QUE O ESTUPRO”. Por sinal o padrasto criminoso, apesar de ter confessado o estupro da menina e de sua irmã de 14 anos, não foi excomungado.
Voltamos ao início, e ao início falamos de Eva, a culpada. Depois nas bruxas queimadas nas fogueiras, nelas a igreja reapresentou seu veredicto para a mulher, culpada mesmo que se prove o contrário. E nos séculos de opressão, sob dogmas de obediência e servidão, a igreja nos relembra o lugar que ela acredita para a mulher na sociedade. Por fim, na última semana, a mesma igreja ao ter que escolher entre entre a menina estuprada e seu estuprador, escolheu o último, já que o crime de estupro não é considerado pela igreja um crime de excomunhão automática.
Por todas as razões acima citadas faço um pedido à igreja católica. Se de fato essa igreja acredita que um crime que legalmente só pode ser cometido contra a mulher (o estupro) não é tão grave quanto um “”"”"crime”"”"” que só pode ser realizado pela mulher (o aborto); se ela acredita que ser mulher por si só já é um crime (como tem demonstrado ao longo de sua história), então eu peço, imploro até. Em solidariedade àquela menina que desde os seis anos chorava sozinha sem que o arcebispo ou qualquer religioso fosse ao seu encontro lhe consolar, lhe socorrer, em solidariedade à ela eu clamo à igreja católica:
EXCOMUNGUE-ME!

legalizacao-aborto

Aos que desejam o mesmo: existe um procedimento legal dentro do Código Canônico (art. 751) através do qual podemos solicitar apostasia, com a retirada de nossos nomes do livro de batismo e dos registros oficiais da Igreja.

O site Em Dia Com a Cidadania lançou a campanha-movimento “Então, me excomungue”, endereçada à Santa Madre Igreja, tendo em vista o caso acima citado. Para participar, basta acessar o site e clicar no banner que está a direita da página principal, com um desenho do Papa BentoXVI que rola na internet espanhola.

A saber: eu não pedi minha apostasia pois nunca fiz parte da igreja católica (não fui batizada)

” “

“A felicidade não é uma estação de chegada, mas uma maneira de viajar”

Por estudar jornalismo e trabalhar na área, com frequencia me deparo com esse elemento: a folha em branco (ta, pode ser pautada, com borda colorida, com o desenho da Pucca no canto etc. mas sem um texto ou princípio dele). Confesse que não me sinto nada a vontade com ele. É sim, uma tentação encher a folha de escritos, mas ao mesmo tempo é um tanto assustador. Ontem, quando recebi uma folha e me foi pedido que escrevesse um texto, comecei a reparar no que eu fazia pra espantar esse medo. Faço pequenos “desenhos” – ente aspas mesmo porque não sei nem fazer boneco de palitinho -, riscos nos cantos da página, letras aleatórias e pontinhos com a caneta diversas vezes (na intenção – frustrada – de iniciar de uma vez o escrito). Já no computador, obviamente, a tática é diferente. Fico escrevendo palavras aleatórias, frases que às vezes não tem nada a ver com o conteúdo do texto, abrindo e fechando janelas distintas.

Não sei se posso considerar que tenho medo do papel, mas afirmo com segurança que ele me instiga. Sabe aquele medo que a gente tem que nos faz ir em frente? É esse mesmo. E quer saber mais? Considero esse sentimento importante para a minha vida profissional. Não acho que todos devem tê-lo, mas na minha condição de aspirante de jornalista ele faz bem.

Segurança na hora de escrever é fundamental, pois só devemos escrever o que temos propriedade, mas esse “medinho” é como o frio na espinha, me faz pensar bem e refletir o por que daquelas palavras. E é medindo esse sentimento que eu vou adiante. Ou não.

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